O que entra no SEO on page
«SEO on page» é pesquisado 50 vezes por mês em Portugal. A expressão separa o que se faz na página (on page) do que acontece fora dela (off page): links de outros sites, avaliações, menções. A parte técnica do site inteiro (robots.txt, sitemap, HTTPS) fica num terceiro grupo; aqui olhamos para uma página de cada vez.
A lista abaixo segue a ordem em que revemos uma página. A ordem conta: não vale a pena afinar imagens e dados estruturados numa página que não responde à pesquisa certa.
1. A intenção: a que pesquisa responde esta página?
Antes de tocar no texto, escreva numa linha a pesquisa a que a página deve responder e quem a faz. O Google aconselha: «Pense nas palavras que podem ser pesquisadas para encontrar seu conteúdo». Um cliente escreve «dentista Aveiro» ou «implante dentário preço», raramente o nome do seu serviço tal como aparece no seu catálogo.
Uma página, uma intenção principal. Se duas páginas do seu site respondem à mesma pesquisa, o Google tem de escolher e pode escolher a errada; se uma página tenta responder a cinco pesquisas diferentes, não responde bem a nenhuma.
2. O title: o título do resultado
O elemento <title> é a principal fonte do título azul no Google. O Google pede algo exclusivo para a página, que seja claro e conciso e descreva com precisão o conteúdo, e dá como exemplo de informação útil a localização física da empresa. Para uma PME, a ordem que funciona é serviço, local, nome da empresa.
- Mau: «Início | Clínica Exemplo». Não diz o serviço nem a cidade.
- Melhor: «Dentista em Aveiro: implantes e ortodontia | Clínica Exemplo» (empresa inventada).
- A nossa análise verifica «título de página de 25 a 65 caracteres»: é um intervalo nosso, não uma regra do Google.
3. Os títulos: um H1 claro, intertítulos que guiam
O H1 é o título que o visitante lê no topo da página. Deve dizer o mesmo que o title, por outras palavras: «Clínica dentária em Aveiro: implantes, ortodontia e urgências» em vez de «Bem-vindo». Os intertítulos (H2, H3) dividem o texto pelas perguntas do cliente: serviços, zona, preços, prazos.
Não perca tempo com a hierarquia perfeita. O Google escreve que do ponto de vista da Pesquisa Google, não importa se essa ordem não for usada, e que «Também não há um número mágico e ideal de títulos que uma determinada página deve ter». O que conta é o leitor encontrar depressa o que procura.
4. O conteúdo: responder logo e dizer o que só a sua empresa sabe
A primeira frase da página responde à pesquisa: o quê, onde, para quem. Depois vêm os factos que um concorrente não pode copiar: a zona que serve de facto, os prazos, como se marca, preços indicativos se os pratica, fotografias dos seus trabalhos, quem faz o serviço.
Não há tamanho certo. O Google é explícito: «O tamanho do conteúdo por si só não importa para fins de classificação». Também não vale a pena repetir a palavra-chave: o excesso de palavras-chave é contra as políticas contra spam do Google. E esqueça a meta keywords: «A Pesquisa Google não usa a metatag de palavras-chave».
Ainda assim, uma página inicial muito curta raramente diz o suficiente. No nosso estudo, 40% dos sites têm menos de 400 palavras na página inicial, com uma mediana de 520 palavras.
5. Os links internos: ligar a página ao resto do site
Uma página que nenhuma outra refere é difícil de encontrar, para o Google e para o cliente. Ligue a página inicial às páginas de serviço, e cada serviço aos serviços próximos e à página de contacto. O texto do link conta: esse texto informa aos usuários e ao Google algo sobre a página vinculada. «Implantes dentários em Aveiro» diz mais do que «saiba mais».
O endereço também ajuda quem lê: tente incluir no URL palavras que possam ser úteis para os usuários. Prefira «oseudominio.pt/implantes-dentarios-aveiro» a «oseudominio.pt/pagina?id=7».
No nosso estudo, 26% das páginas iniciais não cumprem o critério «10 ou mais links internos».
6. As imagens: perto do texto e descritas
Fotografias reais do seu trabalho valem mais do que imagens de banco. Ponha-as junto do texto de que falam: o texto próximo às imagens pode ajudar o Google a entender melhor o conteúdo e o significado delas no contexto da página. Cada imagem útil leva um texto alternativo (atributo alt); segundo o Google, o texto alternativo é curto e descritivo e ele explica a relação entre a imagem e o conteúdo.
Mau: alt vazio ou «imagem1.jpg». Melhor: «Sala de consulta da clínica, com cadeira de dentista e radiografia panorâmica». No nosso estudo, 21% dos sites deixam mais de 20% das suas imagens sem descrição.
7. A velocidade: medir antes de mexer
O Google mede a experiência de carregamento com as Core Web Vitals. Para a LCP (o maior elemento visível), diz que os sites devem fazer com que a LCP ocorra nos primeiros 2,5 segundos do início do carregamento da página; para a INP (a resposta a um toque ou clique), busque uma INP de menos de 200 milissegundos; para a CLS (os saltos da página durante o carregamento), tenha uma pontuação de CLS inferior a 0,1.
Consulte o Relatório do Core Web Vitals no Search Console: é aí que se começa, com os dados de visitantes reais, e não com uma nota isolada. Num site de PME, o ganho mais comum está nas imagens pesadas da página inicial e nos plugins acumulados. O nosso estudo não publica a velocidade dos sites analisados: o tempo de resposta foi medido a partir do estrangeiro e não reflete o que vê um visitante.
8. Os dados estruturados: descrever a empresa ao Google
Os dados estruturados (schema.org, em JSON-LD) dizem ao Google, num formato que ele lê sem adivinhar, o nome da empresa, a morada, o horário, o telefone. Não é preciso programar: talvez o CMS tenha uma página de configurações para mecanismo de pesquisa ou você possa instalar um plug-in que permita especificar dados estruturados.
A regra a não esquecer: não adicione dados estruturados sobre informações que não são visíveis para o usuário, mesmo que estejam corretas. O Teste de pesquisa aprimorada é uma ferramenta fácil e útil para validar dados estruturados. No nosso estudo, 55% dos sites não descrevem a empresa em dados estruturados.
A lista aplicada a sites reais
Analisámos a página inicial de 2747 sites de empresas francesas de 25 profissões. O estudo é sobre França: não temos números próprios para sites portugueses, mas os erros são os de qualquer site feito à pressa.
- sem título de página de 25 a 65 caracteres
- 41 %
- sem título de página de 25 a 65 caracteres
- sem um só H1 que diz o que a empresa vende
- 45 %
- sem um só H1 que diz o que a empresa vende
- sem pelo menos 400 palavras na página inicial
- 40 %
- sem pelo menos 400 palavras na página inicial
- sem 10 ou mais links internos
- 26 %
- sem 10 ou mais links internos
- sem imagens descritas (80% ou mais com texto alternativo)
- 21 %
- sem imagens descritas (80% ou mais com texto alternativo)
- sem empresa descrita em dados estruturados
- 55 %
- sem empresa descrita em dados estruturados
A nossa opinião
Numa PME, o SEO on page começa pelas duas ou três páginas que devem trazer pedidos, não pelo site inteiro: a página inicial e os serviços que dão margem. Faríamos os pontos 1 a 4 primeiro, numa tarde, porque são os que o Google lê para decidir a que pesquisa a página responde; velocidade e dados estruturados vêm depois e raramente salvam uma página que não diz o serviço e a cidade. O erro que mais vemos é afinar plugins e pontuações de ferramentas antes de ter escrito um title e um H1 que um cliente perceberia.
A redação de FindMyCompany
Perguntas frequentes
O que é SEO on page?
É o conjunto de melhorias feitas dentro de uma página para que o Google perceba a que pesquisa ela responde e para que quem pesquisa a escolha: title, títulos, texto, links internos, imagens, velocidade e dados estruturados.
Qual é a diferença entre SEO on page e off page?
O on page está na própria página e depende só de si. O off page acontece fora do site: links de outros sites, avaliações, menções na imprensa ou em diretórios.
Quantas palavras deve ter uma página?
O Google diz que o tamanho do conteúdo, por si só, não conta para a classificação e que não há mínimo nem máximo. Escreva o que o cliente precisa para decidir: serviço, zona, prazos, preços, provas.
A meta keywords ainda serve para alguma coisa?
Não no Google: a Pesquisa Google não usa a metatag de palavras-chave. Mais vale gastar esse tempo no title e na meta description.
O E-E-A-T faz parte do SEO on page?
O Google responde que o E-E-A-T não é um fator de classificação. Mostrar na página quem faz o serviço e que experiência tem continua a ajudar o cliente a confiar em si.
Quanto tempo até ver o efeito?
O Google tem de voltar a rastrear a página e não dá prazo: algumas mudanças contam em poucas horas, outras em vários meses. Reveja uma página, espere algumas semanas e meça na Search Console.